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Inicie um negócio em 2018 sem sair do seu condomínio

Gabriela Medrado*

Celeide anuncia suas empadas em um grupo do condomínio - Foto: Mila Cordeiro l Ag. A TARDE
Celeide anuncia suas empadas em um grupo do condomínio | Mila Cordeiro l Ag. A TARDE

Desempregada, Celeide Lopes voltou de uma viagem de visita à família em Castro Alves com uma ideia: vender as empadas que aprendeu a fazer com a tia. Sem carteira de motorista para fazer entregas, ela viu em seu condomínio o lugar ideal para começar as vendas e passou a fazer encomendas e fornadas diárias, que ela anuncia em um grupo de compras e vendas do condomínio.

Negócios que se baseiam na residência do empreendedor são comuns, e o Serviço de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (Sebrae) estima que 48,6% dos microempreendedores individuais trabalham em casa. Para o consultor do Sebrae Fabrício Barreto, vender produtos em casa, apenas para pessoa próximas, é uma forma comum de começar um negócio, e possibilita estruturar a empresa aos poucos, trabalhando com demanda e público controlados.

“O modelo de compras e vendas por Whatsapp tem funcionado muito bem em alguns condomínios, e acaba sendo uma ferramenta de divulgação barata e eficaz”, conta Barreto. Vender produtos e serviços para os vizinhos também é uma oportunidade de reduzir os custos operacionais, já que não há despesas com pontos comerciais ou transportes.

Sem estrutura e carro para fazer muitas entregas fora de casa, Celeide viu em sua residência não só uma oportunidade de ganhar dinheiro sem ter que se deslocar na cidade, como um grande nicho de clientes: o condomínio possui 400 apartamentos, e está cercado por outros condomínios. “Aqui é meio isolado, quem não tem carro depende de ônibus até para ir no mercadinho. Então acabou surgindo a venda de roupas, sapatos e comida”, conta a empreendedora, que pretende trabalhar com marmitas e outros tipos de comida no futuro.

O local se mostrou um ambiente propício para negócios, e o grupo de vendas do condomínio no Whatsapp tem cerca de 100 pessoas, mais da metade delas empreendedoras. “Com a crise muita gente ficou desempregada, e o grupo foi ajudando a dar ideias de negócio”, conta Denise Andrade, vizinha de Celeide e uma das administradoras do grupo. Ela foi uma das primeiras vendedoras de seu segmento no condomínio, e hoje conta com cerca de quatro concorrentes.

Manicure e depiladora,  Tatiane aposta na confiança que os vizinhos depositam em seu trabalho (Foto: Luciano da Matta l Ag. A TARDE)

Busca por comodidade

Denise trabalhou como vendedora em shoppings por 15 anos. Quando se tornou mãe, optou por abrir uma loja no próprio apartamento, trabalhando com roupas, acessórios e cosméticos da Rommanel, Eudora, Handara e Mary Kay. Cerca de metade de sua renda vem somente dos vizinhos. “As pessoas querem comodidade. Poder comprar sem sair do prédio, ou ser atendidas no próprio apartamento, é uma vantagem”, conta a vendedora.

Para a manicure e depiladora Tatiane Figueiredo, focar nos vizinhos como público alvo foi uma forma de valorizar seu serviço: “As pessoas preferem se depilar e fazer as unhas com alguém de confiança. Atendo na minha casa ou em domicílio, e é mais acolhedor que um salão. A cliente tem chance de conhecer de perto os materiais que uso, e isso aumenta a confiança”, opina Tatiane.

A ex-funcionária de salões de beleza hoje se divide entre as clientelas de sua residência atual, sua casa antiga, e da casa de sua mãe, e apenas com vizinhos antigos e atuais consegue uma agenda cheia.

Tatiane, mesmo trabalhando na sua casa ou na de clientes, busca seguir todos os procedimentos de higiene e assepsia exigidos de salões, o que Barreto considera fundamental para quem pretende trabalhar em casa. “Buscar um registro de microempreendedor individual e se regularizar de acordo com as exigências da legislação para cada atividade é importante”, conta o consultor. É preciso também um alvará de funcionamento emitido pela prefeitura.

*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló